Médicos que atuam no Hospital Luís Eduardo Magalhães, referência na assistência a gestantes e partos de alto risco no extremo sul da Bahia, emitiram um relatório preocupante sobre a situação crítica enfrentada pela unidade. O relato destaca a dificuldade em preencher a escala de plantões devido ao número insuficiente de profissionais, um problema que se arrasta há tempos e que, segundo os médicos, já ultrapassou os limites de suas capacidades.
Os profissionais de saúde ressaltam a importância de seu trabalho, que inclui a realização de cerca de 250 a 300 partos por mês e mais de 800 atendimentos de urgência e emergência. Apesar da relevância do serviço prestado, as condições de trabalho se tornaram insustentáveis. “Após inúmeras reuniões e comunicações com gestores do estado, não houve mudanças que gerassem contratações de novos profissionais para o hospital”, afirmam.
A situação se agrava com a falta de uma escala oficial para o mês de dezembro de 2025. Desde maio do mesmo ano, o setor encontra-se sem coordenação médica e muitos profissionais sequer assinaram contrato com a nova empresa gestora do hospital. Os médicos alertam que, a partir de 1º de dezembro de 2025, não haverá ginecologista/obstetra disponível no plantão do hospital.
Os médicos também expressaram sua preocupação com a segurança das pacientes, já que, mesmo sabendo que o ideal é a presença de três médicos obstetras por plantão, muitas vezes eles têm realizado turnos exaustivos de 36 a 48 horas seguidas, ou atendido sozinhos em situações críticas. Tal prática, além de não ser recomendada pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e pelo Parecer n° 06/2016 do CREMEB, coloca em risco tanto a saúde das gestantes quanto a saúde dos próprios profissionais.
