“A pandemia trouxe um retrocesso no aprendizado dos meus filhos, e a greve dos professores só fortalece isso”. O desabafo de uma dona de casa é o mesmo de muitos pais com filhos matriculados na rede pública em Eunápolis, em greve desde março.
Nesta última quinta-feira (09), uma pequeno grupo da categoria APLB, decidiram fechar a principal BR DO BRASIL em forma de protesto, deixando cerca de 20 mil alunos sem aula. Especialista alerta que os impactos do afastamento dos estudantes das classes são enormes e se estendem desde o aprendizado até a formação.
O ano letivo de 2022 seria o primeiro após a pandemia com os estudantes na sala de aula desde fevereiro. Em 2021, houve o retornos dos alunos, com escalonamento, em maio, após quase dois anos reclusos, devido à pandemia. Agora, por conta da greve, eles estão novamente nos lares.
A rotina das famílias mudou, e adaptações tiveram que ser feitas. A diarista Amanda, 32, conta ter ficado “desesperada” quando soube que o filho, de 6, não teria aula: “Justo no momento em que ele teve a condição de voltar às aulas e enfim iniciar a vida escolar, não está podendo”. Ela trabalha fora e teve que deixar o garoto aos cuidados da sogra de uma prima. “Se isso não estivesse acontecendo, teria que sair do emprego”, ressaltou.
A enfermeira, 43, precisou apertar o orçamento para não interromper novamente o estudo da filha. “Coloquei na aula particular duas vezes por semana. Vai gerar um custo que não estava previsto. Foi a forma que encontrei, já que, devido ao trabalho, não consigo desenvolver atividades com ela em cada o dia todo”, resumiu.
A greve é “um passo atrás” no processo de reconstrução do saber neste momento de pós-pandemia, segundo a professora de psicologia da educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Libéria Neves. Ela afirmou que as respostas sobre os impactos dos afastamentos das crianças e adolescentes das salas de aula somente poderão ser percebidas após alguns anos.
“O tempo nos dirá o efeito disso tudo para esta geração. Dois anos na vida é muita coisa, tanto no ponto de vista emocional e como cognitivo. Vai gerar outro tipo de estudante, de jovem e de criança. De outra história de vida”, resume.
