A prestação de contas da campanha de Cláudia Silva Santos Oliveira (PSD), eleita deputada estadual pela Bahia em 2026, foi contestada na Justiça Eleitoral. Segundo a peça, a campanha declarou despesas totais de R$ 1,13 milhão. Entre os principais questionamentos está a contratação da empresa C4 Empreendimentos Ltda., responsável por serviços no valor de R$ 661,2 mil — cerca de 58% dos gastos informados.
O impugnante afirma que aproximadamente R$ 474,4 mil foram declarados como despesas de militância sem documentação considerada suficiente, como relatórios de horas trabalhadas, identificação dos prestadores e locais de atuação. Também é questionado um pagamento de R$ 110 mil por “planejamento estratégico” de marketing político, sem, segundo a contestação, a apresentação de produtos ou planos de trabalho detalhados.

A impugnação aponta ainda suposto uso irregular de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) na produção de material conjunto com candidatos de partidos que não seriam coligados ou federados ao PSD. O documento pede a devolução dos valores ao Tesouro Nacional.
Outro ponto levantado envolve 25 doadores cujos nomes coincidiriam com servidores comissionados da Prefeitura de Eunápolis. De acordo com a contestação, essas pessoas teriam doado, ao todo, R$ 262,2 mil. O prefeito do município, Robério Oliveira, é marido da candidata. A peça também menciona cinco pessoas contratadas para prestar serviços à campanha que teriam nomes coincidentes com servidores municipais. O impugnante solicita o cruzamento de dados com a Receita Federal e a Prefeitura de Eunápolis.
A existência de outdoors instalados em Eunápolis após o pleito também foi questionada. As peças exibiriam a imagem da candidata e de seu marido, acompanhada do slogan da campanha. Segundo a impugnação, não haveria despesa correspondente registrada na prestação de contas.
O impugnante pede a desaprovação das contas, a devolução de recursos públicos e o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral para investigação de possível abuso de poder econômico e uso irregular de servidores públicos.
